segunda-feira, 25 de novembro de 2013
Memórias de Pardais
Nos dias mais chuvosos e tristes dou por mim a pensar na alegria que foi ter um avô tão fixe. Acho mesmo que é ele que manda um sinal lá de cima a dizer-me que os dias mais chuvosos e tristes também podem ser bonitos. O meu avô fazia anos agora e lembro-me dele porque é bom lembrarmos as pessoas que foram muito importantes nas nossas vidas e que nos ensinaram a ser felizes. O avô era uma pessoa muito especial. Gostava muito do mar, das árvores, dos passarinhos, de contar histórias e levar-nos a passear. Ia muitas vezes buscar-nos à escola e contava anedotas para nos fazer rir. Ouvia música , dançava com a avó e era do Sporting.
Só havia uma coisa que não perdoava que era quando nós nos comportávamos mal à mesa e não comíamos como deve ser.
No dia em que o avô morreu nevou em Lisboa como nunca tinha nevado. Foi há oito anos e estava um dia muito frio. O nosso cão tinha desaparecido há dois dias e a mãe, para nós acreditarmos que tudo é possível nesta vida, avisou-nos que assim que o avô estivesse lá por cima iria mandar o Sal voltar para casa. E acreditem, voltou mesmo! Hoje acredito que o avô continua a olhar por nós, a proteger a avó que está ao lado dele, e a enviar-nos sinais de que vale a pena viver a vida com muita alegria. Ah, e a dar nomes aos pardais...!
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